Educação Financeira

INPC: o que é e como é calculado?

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) é um instrumento criado pelo IBGE, ano de 1979, e serve para mostrar o crescimento do custo de vida do cidadão comum. Você sabe por que isso é importante? Acompanhar o impacto da inflação no dia a dia do brasileiro é um dos motivos.

inflação é um fenômeno econômico que realmente consegue tirar a tranquilidade e o sono de muitas pessoas. Ela tem péssimas consequências, sobretudo na vida dos mais pobres e, durante o século passado, moldou a forma como os brasileiros lidam com o próprio dinheiro.

O INPC estabelece a variação dos preços de produtos e serviços no mercado varejista. Dessa forma, determina-se, de maneira exata, o quanto o custo de vida da população aumentou durante determinado intervalo de tempo.

Mas sua importância vai muito além do que apenas calcular o quanto os produtos básicos ficaram mais caros. O INPC também é o principal índice utilizado pelo Governo Federal para calcular o reajuste do salário-mínimo e usado por trabalhadores e empregadores para negociar aumentos salariais.

Continue a leitura deste artigo e aprenda um pouco mais sobre esse importante índice. Boa leitura!

O que é o INPC?

Conforme já foi dito, o INPC é um índice que determina o quanto o custo de um produto ou serviço variou em determinado tempo. Desde a década de 1979, o IBGE realiza essa pesquisa, que tem como foco o consumo das famílias que possuem renda mensal de até 5 salários-mínimos.

Devido a essa particularidade, o INPC é fortemente influenciado pelo reajuste nos valores dos serviços e produtos básicos. Sendo assim, quando ocorre uma elevação nos preços dos alimentos, do gás de cozinha e do transporte público, por exemplo, ele é diretamente impactado.

Esse índice é um dos mais usados pelos trabalhadores para negociar reajustes salariais. Além do INPC, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é outro importante medidor da inflação. Entretanto, o IPCA tem como foco o consumo das famílias com renda salarial de até 40 salários-mínimos, por isso, é um indicador mais abrangente.

O IPCA é considerado o principal índice de inflação do país. Ele é muito usado para reajustar preços de aluguéis. O Governo Federal também lança mão desse índice para verificar o cumprimento das metas de inflação.

Como o INPC é calculado?

O cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor é feito de maneira bastante simples. O IBGE, por meio do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC), realiza a coleta dos dados entre o primeiro e o último dia do mês de referência.

As informações são obtidas a partir de pesquisas realizadas em estabelecimentos comerciais, prestadoras de serviços privados, concessionárias de serviços públicos e diretamente nos domicílios. Devido ao tamanho da população brasileira, o SNIPC realiza a pesquisa em apenas 13 capitais:

  • Belém;
  • Belo Horizonte;
  • Brasília;
  • Campo Grande;
  • Curitiba;
  • Goiânia;
  • Fortaleza;
  • Porto Alegre;
  • Recife;
  • Rio de Janeiro;
  • Salvador;
  • São Paulo;
  • Vitória.

É bom lembrar que as famílias que participam da pesquisa pertencem à área urbana de cada região participante.

Conforme dito, o público-alvo dessa pesquisa é a população que apresenta renda mensal entre 1 e 5 salários-mínimos — de acordo com o IBGE, essa é a renda de 50% das famílias brasileiras. Isso porque existia o interesse em criar um indicador capaz de determinar com precisão o impacto que a população mais vulnerável economicamente sente com as variações dos preços.

O que mais caracteriza esse grupo, além do nível de renda mais baixo, é o fato de essas famílias utilizarem a totalidade do faturamento mensal em consumo corrente de alimentos e remédios.

Para determinar um valor para o INPC, o IBGE obtém um Índice de Preço ao Consumidor (IPC) para cada região da pesquisa. Em seguida, com o conjunto desses dados, é determinado um valor para todo o território nacional — que é o próprio Índice Nacional de Preços ao Consumidor.

Para que não ocorra erros, a coleta de dados é realizada aplicando o mesmo método em todas as regiões pesquisadas. Isso garante que as informações obtidas sejam tratadas de maneira única, oferecendo mais consistência para o estudo.

Ao todo, são considerados nove grupos de serviços e produtos no cálculo, que são:

  • alimentação e bebidas;
  • artigos de residência;
  • comunicação;
  • despesas pessoais;
  • educação;
  • habitação;
  • saúde e cuidados pessoais;
  • transporte;
  • vestuário.

Cada grupo é dividido em outros itens, sendo que para calcular o INPC é considerada, no total, a variação de preços de 465 produtos ou serviços.

O que influencia o cálculo do índice?

Para que o INPC consiga mostrar, de maneira clara, o impacto que a variação de preços provoca em famílias de baixa renda, o IBGE adotou pesos diferente para determinados itens que constituem o indicador. Dessa forma, quando ocorre o aumento dos preços desses artigos, a população em foco sofre mais para ajustar o seu orçamento.

Sendo assim, alguns produtos básicos — como alimentação, gás e transporte público — apresentam um peso maior no cálculo do INPC. Uma curiosidade: os pesos desse índice são diferentes dos usados na determinação do IPCA.

Os fatores considerados para o cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor são:

  • alimentação e bebidas — 31,42%;
  • habitação — 17,53%;
  • transporte — 15,49%;
  • saúde e cuidados pessoais — 9,70%;
  • despesas pessoais — 7,38%;
  • vestuário — 7,22%;
  • artigos de Residência — 5,00%;
  • comunicação — 3,26%;
  • educação — 2,95%.

De forma semelhante, cada região em que é feita a pesquisa possui peso diferente. Isso ocorre devido a alterações da população amostral causada por mudanças da faixa de renda. Logo, o peso de cada região é o seguinte:

  1. São Paulo — 24,24%;
  2. Salvador — 10,67%;
  3. Belo Horizonte — 10,60%;
  4. Rio de Janeiro — 9,51%;
  5. Porto Alegre — 7,38%;
  6. Curitiba — 7,29%;
  7. Recife — 7,17%;
  8. Belém — 7,03%;
  9. Fortaleza — 6,61%;
  10. Goiânia — 4,15%;
  11. Brasília — 1,88%;
  12. Vitória — 1,83%;
  13. Campo Grande — 1,64%.

Como o INPC influencia o mercado imobiliário?

Apesar de esse estudo calcular a perda de poder de consumo nas classes com menor renda, oscilações nesse índice também são temidas pelo mercado imobiliário.

Imagine a seguinte situação: uma família paga R$ 1 mil de aluguel. Vendo a inflação aumentar, é possível que essas pessoas não consigam economizar dinheiro para poder dar de entrada em sua casa própria.

Outro cenário possível é o de que resolvam viver de favor na casa de parentes para economizar o dinheiro do aluguel, prejudicando a renda do proprietário do imóvel.

Por fim, essas pessoas também podem perder o controle de sua vida financeira, endividando-se e tendo dificuldades para ter um financiamento de crédito aprovado.

Ainda que o INPC não fale especificadamente sobre o mercado de construção, aluguel ou compra de imóveis, é inegável que ele sinaliza turbulência na economia.

Esse sinal fica ainda mais preocupante quando uma empresa trabalha justamente para a faixa da sociedade analisada pelo INPC. Construtoras ou imobiliárias que têm nas pessoas que recebem até cinco salários-mínimos seu público-alvo costumam ficar atentas aos resultados apresentados pelo IBGE.

O que é o IGP-M?

Existem vários indicadores da inflação, e todos precisam ser compreendidos pelas pessoas que estão interessadas em comprar um imóvel.

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) é calculado pela Fundação Getúlio Varga (FGV). Esse índice analisa o impacto da inflação na micro e na macroeconomia. Ou seja, matérias-primas agrícolas, industriais, bens de serviço, produtos vendidos no atacado etc.

Esse estudo da FGV verifica como a inflação impactou toda a sociedade no mês pesquisado.

É possível usar esse índice para avaliar o mercado imobiliário e entender como os preços serão alterados. Se sabemos que produtos de origem agrícola estão mais caros (madeira, por exemplo), é provável que o investimento necessário para o telhado de uma casa precise ser maior.

Ao mesmo tempo, se o custo de vida do proprietário de um imóvel ficar mais caro, é esperado que ele reajuste os preços do aluguel.

Por isso, o governo fica atento às oscilações desses índices, podendo iniciar medidas para conter o avanço da inflação. Uma dessas medidas é a alteração da meta da taxa Selic, com o objetivo de tornar os empréstimos mais caros e reduzir a entrada de dinheiro na economia.

Com os juros mais altos, os financiamentos imobiliários ficam mais caros. Esse cenário faz com que a procura por imóveis caia, ajudando a diminuir os preços e possibilitando que surjam boas oportunidades de compra.

Logicamente, o cenário descrito nos parágrafos anteriores é apenas uma simulação. A economia não obedece a regras tão previsíveis, pois é influenciada por fatores internos e externos.

Como foi possível perceber, o INPC e o IGP-M são importantes índices para acompanhar o crescimento da inflação. Além de ser usado no cálculo de reajustes salariais, o INPC ajuda a entender como o aumento dos preços influencia a vida das pessoas de renda salarial mais baixa.

Já o IGP-M mostra o impacto de decisões macroeconômicas no dia a dia do consumidor brasileiro.

Entender o básico sobre os índices que medem a saúde da nossa economia, como o INPC, ajudará você a fazer melhores investimentos financeiros, comprar com mais consciência e desenvolver seu senso crítico na hora de acompanhar o noticiário econômico e político.

Sendo assim, não deixe de compartilhar com a gente as suas dúvidas e sugestões para os próximos post pelos comentários!

 

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